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O que é o HPV e por que é tão perigoso?

Escrito por Elaine Rodrigues  
Ter, 24 de Novembro de 2009 20:50

Depois de dar adeus aos preconceitos, às proibições e à repressão sexual, hoje, tanto homens, quanto mulheres iniciam sua vida sexual muito cedo e, passam a ter uma vida sexual ativa. Só que essa intensa atividade, pode vir acompanhada de certos problemas de saúde, que merecem atenção e tratamento adequado.

HPV entre mulheres

Imagem: Dreamstime

Entre essas questões encontra-se o HPV, (papilomavírus humano), nome genérico de um grupo de vírus que engloba diferentes tipos e, por ser transmitido sexualmente, provoca lesões genitais de alto risco -, porque são precursoras de tumores malignos, especialmente do câncer do colo do útero e do pênis, entre outros sinais de baixo risco (não relacionadas ao aparecimento de câncer).

Por ser um vírus que atinge um grande percentual de mulheres, apesar de afetar também os homens, entrevistamos a ginecologista Dra. Rosa Maria Neme. Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência médica e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo.

Nesta conversa a médica fala sobre o que é o HPV, seus sintomas e  por que ele atinge mais mulheres que homens, como também os tratamentos para combater esse terrível inimigo da saúde íntima.

1) O que é o HPV e por que é tão perigoso? Meninas também podem desenvolver o câncer no colo uterino devido ao HPV?
R: É a sigla em inglês para papiloma vírus humano. É um vírus transmitido pelo contato da pele e, no caso da região genital, transmitido pelas relações sexuais - e podem causar lesões no pênis, vagina, colo do útero e vulva. Meninas que apresentam o HPV de alto risco podem desenvolver o câncer de colo uterino, apesar de ser raro nessa faixa etária.

2) As mulheres são mais vulneráveis ao HPV Em caso positivo, por quê?

R: Em geral, as mulheres apresentam-se mais vulneráveis à infecção pelo HPV por apresentarem variações tanto do ciclo hormonal, quanto da imunidade ao longo do mês, diferentemente dos homens. Com isso, apresentam mais chance de contrair a infecção.

3) O que ocorre quando um indivíduo é infectado pelo HPV? Os sintomas sempre aparecem? Quais são?

R: Nem sempre os sintomas aparecem naquele momento. O vírus pode ficar incubado e aparecer muitos anos depois. Os sintomas dependem do tipo de HPV que infecta a mulher. As manifestações mais comuns na região genital são as verrugas genitais ou condilomas acuminados, conhecidas como "crista de galo".

Já outras pacientes com lesões subclínicas podem não apresentar sintomas, podendo ter apenas manifestações discretas como corrimentos de repetição, por exemplo. No caso dos tipos de alto risco, o HPV pode causar, a longo prazo, o câncer de colo de útero ou antes disso, lesões precursoras do câncer.

4) Como o HPV pode provocar o câncer de colo de útero?

R: O HPV provoca alterações estruturais no material genético da célula do colo do útero e da vulva e com isso causa uma alteração genética chamada atipia que transforma a célula normal em uma célula com potencial de malignidade.

5) Quanto tempo os sintomas demoram para aparecer?

R: Dependerá de pessoa para pessoa e da imunidade (defesa do corpo) dela.

6) Em mulheres grávidas, quais os riscos da infecção por HPV?
R: O risco na mulher grávida, pode ser maior, já que a imunidade da mulher nessa fase da vida é menor. Com isso o risco de contrair a infecção é maior e se a mulher já tiver o vírus, a chance do aparecimento de lesões é maior também.

7) Como é feito o diagnóstico? Quais são os exames solicitados? E se a menina for virgem e estiver com suspeita de HPV?
R: As verrugas genitais podem ser encontradas no ânus, no pênis, na vulva ou vagina e podem ser visibilizadas através de exame urológico (peniscopia), ginecológico (colposcopia e vulvoscopia). Já o diagnóstico de suspeita pode ser feito através do exame citológico (exame preventivo de Papanicolaou).

O diagnóstico definitivo é realizado através de exames laboratoriais de diagnóstico molecular, como o teste de captura híbrida e o PCR e biópsia da região suspeita. Se a menina for virgem, o HPV externo (de vulva) pode ser diagnosticado sem dificuldades.

8) Como é feito o tratamento? Quanto tempo dura?
R: Na maioria das vezes, a infecção é assintomática. Nos casos das verrugas, os tratamentos são realizados através de uso de ácidos no local da verruga, uso de laser ou ainda a retirada cirúrgica apenas. Em alguns casos de HPV em colo de útero, pode ser realizada apenas a cauterização do local. A duração do tratamento depende da extensão do processo e da recidiva da doença.

9) Como prevenir o contágio?
R: O uso de preservativos em todas as relações sexuais durante todo o tempo. Nem sempre o homem ou a mulher apresentam lesões visíveis a olho nu. Por isso, não se pode bobear.

10) Poderia falar um pouco sobre a vacina contra o HPV? Como ela funciona? Por que ela gerou tanta polêmica? Ela já pode ser tomada no Brasil? Quem pode tomar?
R: A vacina foi criada com o objetivo de prevenir a infecção por HPV e, assim, reduzir o número de pacientes que venham a desenvolver câncer de colo de útero. Foram desenvolvidas duas vacinas contra os tipos mais presentes no câncer de colo do útero (HPV-16 e HPV-18). O impacto real da vacinação contra o câncer de colo de útero só poderá ser observado após décadas.

Há duas vacinas comercializadas no Brasil. Uma delas é quadrivalente, ou seja, previne contra os tipos 16 e 18, presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero e contra os tipos 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas.

A vacina funciona estimulando a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, a presença destes anticorpos no local da infecção e a sua persistência durante um longo período de tempo. A vacina pode ser tomada no Brasil e é administrada em 3 doses, com 1, 2 e 6 meses.

11) Qual o tempo de proteção após a vacinação?
R: Os estudos atuais estimam o tempo de infecção em 8 anos e meio.

12) A partir de qual idade, se pode tomar a vacina?
R: Preconiza-se a aplicação da vacina à partir dos 9 anos de idade.

13) A vacina está disponível na rede pública de saúde?

R: Infelizmente, ainda não.

Consultoria: Dra. Rosa Maria NemeGraduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein, Samaritano, São Luiz e Sírio Libanês.



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